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ECONOMIA - Bolsas globais mantêm ritmo forte com crescimento sincronizado

Os mercados acionários globais iniciam 2018 em forte ritmo. Após as altas expressivas das bolsas de valores registradas em 2017, havia certo ceticismo entre os analistas em relação ao fôlego que ainda restaria para as ações manterem a escalada que marcou os últimos tempos. Mas a recuperação da economia global tem dado ânimo extra para a manutenção da atratividade das bolsas de valores.



Os sucessivos recordes quebrados por Wall Street nos últimos meses - e em outras praças financeiras, como nas bolsas de Londres, Hong Kong e do Brasil- mostram o quanto o investidor está ainda disposto a apostar na renda variável, apesar da maior volatilidade e risco embutidos neste segmento do mercado financeiro.



Recentemente, as revisões para cima nas projeções de crescimento de bancos centrais, instituições financeiras, consultorias e organizações multilaterais, como o Fundo Monetário Internacional (FMI), confirmaram a visão que os mercados já operavam há meses, como mostram as altas expressivas das ações - embora os ciclos de elevação de preços de ativos tragam consigo o temor de bolhas e de reversão abrupta dos preços, como aconteceu em outros períodos de empolgação nos mercados.



Por trás da euforia atual, destacam analistas, está o "crescimento global sincronizado", puxado ao mesmo tempo pelas economias avançadas e emergentes. O pêndulo entre o crescimento destes dois grupos, que aconteceu tantas vezes e em muitas delas foi definido pelo ciclo das commodities, parece agora ter se transformado em um conjunto único e estabilizado num patamar elevado. O FMI estima um avanço do PIB global em 3,7% neste ano, de 3,6% em 2017 e 3,2% em 2016. O Goldman Sachs observa que 186 de 192 membros do Fundo registraram crescimento no ano passado, e as previsões para 2018 mostram que haverá poucos países em recessão.



O economista sênior para Estados Unidos do banco Société Générale, Omair Sharif, diz que a recuperação sincronizada da economia mundial, que tem sustentado o mercado, se deve a três fatores principais: o bom desempenho da produção industrial em diversos países, a retomada dos investimentos nos EUA e o ambiente ainda de ampla liquidez internacional.



"Os mercados acionários nos países emergentes superaram o mercado americano no ano passado, na medida em que os investidores buscam melhores retornos", afirma Sharif. "A melhora no mercado acionário também está impulsionando a confiança e ajudando a adicionar demanda nas economias."



Ontem as bolsas americanas abriram indicando que haveria mais um dia de recordes. De fato, o índice Dow Jones chegou a superar os 26 mil pontos pela primeira vez na história logo nas primeiras operações do dia. Mas o cenário político dos EUA apagou um pouco os ânimos após a notícia da intimação do ex-chefe de estratégia de Trump, Steve Bannon, para depoimento no FBI. No fim do pregão, o Dow Jones marcava leve baixa de 0,04%, aos 25.792,86 pontos. O Nasdaq perdeu 0,51%, a 7.223,68 pontos.



Apesar do recuo de ontem, os índices de ações americanos ainda computam altas expressivas em 2018: Dow Jones tem ganho acumulado de 4,34%, Nasdaq sobe 4,64% e S&P 500, 3,85%. Vale destacar também os ganhos acumulados em 2018 pelas bolsas de Frankfurt (2,54%) e Tóquio (5,21%).



Pelo cálculo de Paridade do Poder de Compra (PPP), o PIB global já avançava cerca de 5% no final de 2017, na visão média de bancos estrangeiros. Significa quase o dobro do que ocorreu nos dois anos de queda dos preços das commodities, entre 2015 e 2016, quando a China titubeou.As economias desenvolvidas devem crescer 2,2% neste ano, puxadas pelos EUA (com 2,5%) e, especialmente, pela zona do euro (2,4%) - a grande surpresa atual.



O Nomura pontua que "as dinâmicas cíclicas e sincronizadas foram características raras da economia mundial nos últimos anos", mas que geralmente anunciaram "surpresas positivas no período à frente", como um avivamento do crescimento da produtividade, cuja queda fez muitos países desenvolvidos patinarem no pós-crise.



A América Latina também tem se beneficiado do momento positivo global, tanto no que se refere a crescimento econômico quanto à alta das bolsas. Isso tudo apesar das incertezas políticas, como eleições previstas no Brasil, México e Colômbia, entre outros imbróglios, como a situação de Venezuela e Bolívia. "O cenário para a região é favorável, e o cecenário global ajuda, se o local não atrapalhar", diz Marcelo Carvalho, economista-chefe para a América latina do BNP Paribas.



O ciclo positivo deste ano, entretanto, tem muitos riscos embutidos, justamente pelo começo da reversão dos programas de estímulos dos principais bancos centrais globais, com o Federal Reserve (Fed, o BC dos EUA) à frente, apesar de a baixa inflação conter movimentos bruscos de altas de juros.



O Bank of America Merrill Lynch adverte sobre os sinais de que o longo "bull market" (mercado altista) pode estar chegando ao fim, o que deve provocar uma retração dos preços lá pelo meio do ano. Para os estrategistas do banco, a construção do otimismo dos investidores vem senvem sendo impulsionada por retornos impressionantes das ações e pela baixa volatilidade histórica. "O 'bull market' está no caminho para se tornar o mais longo e se as ações superarem os títulos pelo sétimo ano consecutivo, seria a primeira vez [que isso ocorre] desde 1928 e apenas a terceira vez em 220 anos."



Para Sharif, o principal risco à frente está na condução dos juros pelo Federal Reserve. Há um debate no Fed sobre quantas vezes subir os juros neste ano: duas, três ou quatro vezes. Isso vai ser definido com base na inflação e no comportamento do mercado de trabalho. "Se o Fed decidir aumentar os juros quarto vezes em 2018, o mercado não estará preparado para isso."


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