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CONTÁBIL - Pequenas auditorias são maioria no país

Normalmente confundido com a imagem das “quatro grandes” — PwC, Deloitte, EY e KPMG – o setor de auditoria no Brasil tem um perfil bem diferente do que muitos imaginam, revela pesquisa inédita sobre o segmento.



Cerca de dois terços das empresas que auditam balanços no país têm menos de 15 funcionários e 62% têm faturamento anual abaixo de R$ 10 milhões, segundo pesquisa do Instituto dos Auditores Independentes do Brasil



(Ibracon) com 54 empresas do setor, a primeira do tipo feita pelo órgão.



Como evidência das discrepâncias, cada uma das quatro fatura mais de R$ 1 bilhão por ano no país, enquanto BDO e Grant Thornton, a quinta e a sexta do mercado, têm receita na casa de centenas de milhões de reais.



Sem distinção entre portes, a atração de novos clientes foi apontada, com folga, como o principal desafio pelas empresas do setor, com 25% das respostas. Em seguida aparecem itens que refletem bem o quadro atual da profissão, que vive em meio ao aumento da regulação, pressão sobre honorários e necessidade de inovação na prestação do serviço. A necessidade de adequação a novos regulamentos teve 14% das menções como maior desafio, a demanda dos clientes para pagar menos apareceu em 13% das citações e o desenvolvimento tecnológico, em 11%.



A pesquisa mostrou também que as empresas dedicam, em média, 7,5% do faturamento à capacitação de pessoal e 6,5% à tecnologia da informação.



Segundo o presidente do Ibracon, Francisco Sant’Anna, que tomou posse neste ano, entre as empresas menores existem aquelas com atuação regional e as que se especializam em perfis de clientes, como operadoras de saúde ou consórcio, além do setor de filantropia, cujas entidades precisam ter balanço auditado.



Questionado sobre processos recentes em que a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) vem punindo companhias de menor porte e auditores pessoa física por descumprimento de normas da profissão, Sant’Anna destacou que uma das tarefas do Ibracon é atuar para ajudar as empresas menores, que não contam com apoio das redes internacionais, a não ficarem para trás em termos de qualidade. Ele citou como evidência desse trabalho o fato de, na pesquisa, o item “adequação a novas normas” ter sido citado como principal desafio por 21% das empresas não associadas e por apenas 10% entre aquelas que fazem parte do instituto. “O nosso desejo é o mesmo da CVM, que é reduzir o número de problemas”, afirmou.



Segundo Sant’Anna é importante que haja uma espécie de depuração no cadastro de auditores da autarquia, já que muitos dos que aparecem lá não atuam mais com auditoria de companhias abertas.



Em relação ao crescimento, o presidente do Ibracon disse entender que a diversificação de serviços é uma saída, dado que a pesquisa apontou que, na média, 65% do faturamento das companhias pesquisadas vem do segmento de auditoria, uma proporção que hoje oscila perto de 50% ou até em níveis inferiores nas quatro grandes.



Em termos de treinamento, o presidente do Ibracon disse que os estudantes que saem das faculdades e ingressam nas empresas do setor precisam de treinamento não apenas técnico, mas também sobre “ceticismo profissional”.



Para ele, os jovens de hoje parecem mais “puros” que os de décadas atrás e precisam ser treinados a desconfiar. “O auditor tem que questionar sempre. E fazer perguntas desafiadoras.”



Para Sant’Anna, os escândalos recentes envolvendo casos de corrupção da Lava-Jato e outros desvios e fraudes que não foram descobertos pelos auditores têm contribuído para que os profissionais do setor, mesmo os mais experientes, aumentem a “sensibilidade” quanto a esse tema. “De todo debate se tira algo positivo. O método de auditoria não mudou. Mas a régua subiu.”


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