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59% dos brasileiros preferem trabalho por conta própria do que CLT


24/06/2025
Brasil
Contábeis

Mais da metade dos brasileiros gostaria de trabalhar por conta própria, segundo levantamento do Instituto Datafolha publicado na última sexta-feira (20). A pesquisa aponta que 59% da população prefere a autonomia do trabalho independente, enquanto 39% se sentem mais confortáveis com o emprego formal. Outros 2% não souberam responder.

A tendência marca uma mudança de comportamento no mercado de trabalho brasileiro, especialmente entre os mais jovens e os que possuem rendimentos mais altos. O levantamento foi feito entre os dias 10 e 11 de junho com 2.026 entrevistados em 136 municípios de todo o país.

 

Preferência por trabalho por conta própria é maior entre jovens

A pesquisa revela que a preferência pelo trabalho por conta própria é mais acentuada entre os brasileiros de 16 a 24 anos. Nessa faixa etária, 68% disseram que preferem ser autônomos, enquanto apenas 28% demonstraram preferência por um vínculo empregatício com carteira assinada. Já 4% se mostraram indecisos.

 

Entre os entrevistados com mais de 60 anos, 50% também afirmaram preferir trabalhar por conta própria, contra 45% que ainda valorizam o emprego com vínculo formal. Os demais 5% não souberam responder.

Esses dados evidenciam uma mudança de percepção geracional sobre estabilidade e liberdade no trabalho, com os mais jovens demonstrando maior disposição para empreender ou atuar de forma independente, mesmo com menos garantias trabalhistas.

 

Vínculo CLT perde força mesmo diante de salários menores

Outra mudança apontada pela pesquisa é a queda no número de pessoas que priorizam o emprego formal, mesmo que isso signifique um salário menor. Em 2022, 77% dos entrevistados preferiam a segurança da carteira assinada mesmo com remuneração inferior. Em 2024, essa proporção caiu para 67%.

Além disso, 31% dos entrevistados se declararam dispostos a trabalhar sem registro em carteira caso recebam um salário maior. Em 2022, esse índice era de 21%, o que mostra um crescimento de 10 pontos percentuais em dois anos.

Entre aqueles que aceitariam trabalhar sem vínculo formal, 85% preferem o trabalho por conta própria, evidenciando que a busca por maior rendimento está diretamente associada à rejeição da CLT por parte de uma parcela significativa da população.

 

Mulheres e pessoas com baixa renda ainda valorizam o emprego formal

Apesar do crescimento da preferência pelo trabalho autônomo, a pesquisa do Datafolha mostra que mulheres e pessoas de baixa renda ainda dão maior peso à segurança do vínculo formal.

Entre as mulheres, 71% preferem a carteira assinada, ante 62% dos homens. Já entre os brasileiros que ganham até dois salários mínimos, 72% valorizam o vínculo CLT. A preferência por trabalhar com registro formal cai para 56% entre os que recebem mais de dez salários mínimos.

Essa diferença sugere que a segurança jurídica e os direitos garantidos pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) ainda são fatores decisivos para quem enfrenta maior vulnerabilidade econômica.

 

Crescimento do trabalho por conta própria desafia políticas públicas

O avanço do interesse pelo trabalho por conta própria impõe novos desafios à formulação de políticas públicas voltadas para o mercado de trabalho. A ampliação do número de autônomos exige atenção em áreas como:

  • Previdência e proteção social;
  • Regulação da informalidade;
  • Qualificação profissional;
  • Acesso a crédito para pequenos empreendedores.

O movimento também reforça a importância de programas como o Microempreendedor Individual (MEI), que tem sido porta de entrada para a formalização de quem deseja empreender. Ainda assim, a pesquisa indica que muitos trabalhadores estão dispostos a abrir mão de direitos trabalhistas em troca de uma remuneração maior e maior autonomia no dia a dia profissional.

 

Autonomia x estabilidade: dilema do mercado de trabalho

Os dados do Datafolha reforçam um dilema cada vez mais presente no mercado brasileiro: a disputa entre autonomia e estabilidade. Enquanto parte da população vê a informalidade como oportunidade de crescimento financeiro e liberdade, outra parcela ainda depende da segurança dos direitos garantidos por lei.

A pandemia, o avanço do empreendedorismo digital, as mudanças nas formas de trabalho e o custo de vida elevado são alguns dos fatores que explicam essa mudança de comportamento.

Especialistas apontam que a valorização do trabalho por conta própria pode se intensificar nos próximos anos, especialmente com o crescimento de plataformas digitais e da cultura de “freelancing” entre jovens e profissionais mais qualificados.

A preferência crescente pelo trabalho por conta própria aponta para uma transformação no perfil do trabalhador brasileiro. O desejo por mais autonomia, ainda que à custa de estabilidade e benefícios trabalhistas, evidencia uma mudança de mentalidade que impacta diretamente políticas públicas, estratégias empresariais e a atuação de contadores e consultores.

 

Profissionais da área contábil devem estar atentos a esse movimento para oferecer orientação adequada a novos autônomos, desde o enquadramento tributário até a formalização e planejamento financeiro. Com um número maior de pessoas buscando independência no trabalho, cresce também a necessidade de suporte técnico para garantir sustentabilidade e conformidade fiscal nesse novo cenário.


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