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Brasil volta ao top 3 dos países mais complexos do mundo para se fazer negócios, revela estudo; confira ranking


21/05/2026
Brasil
Contábeis

Depois de alguns anos melhorando sua posição na lista global de países mais complexos para se fazer negócios, em 2026 o Brasil voltou ao top 3, o que representa uma piora de três posições em relação ao ano passado. De acordo com a nova edição do Índice Global de Complexidade de Negócios (GBCI) da TMF Group, o país está agora em 3º lugar e continua entre as dez regiões mais complexas do mundo.

De acordo com Santiago Ayerza, Country Head da TMF Group no Brasil, ainda assim, é notável que o país ruma para mudanças positivas. “Alguns entraves ligados à burocracia interna e mudanças regulatórias resultaram na perda de algumas posições, o que não é totalmente negativo, mas sim um indicativo de que a nação vem implementando transformações às quais o mercado ainda está se ajustando”, afirmou o executivo.

As 10 jurisdições mais complexas deste ano são, da mais à menos intrincada: Grécia, México, Brasil, França, Turquia, Colômbia, Bolívia, Itália, Argentina e Peru.

Por outro lado, as 10 menos complexas são as Ilhas Cayman, a Dinamarca, Jersey, Hong Kong, os Países Baixos, a Nova Zelândia, a República Tcheca, as Ilhas Virgens Britânicas, Malta e Curaçao.

 

Contexto nacional

O estudo global da TMF Group avaliou 81 jurisdições, responsáveis por mais de 90% da economia global, com indicadores que consideram exigências contábeis e tributárias, regras trabalhistas e até mesmo gestão de entidades legais, com o objetivo de identificar os principais fatores que impactam a operação de empresas em diferentes mercados.

No caso do Brasil, o cenário permanece marcado por elevada complexidade estrutural. Um sistema tributário multifacetado, aliado a mudanças regulatórias frequentes e a exigências rigorosas de compliance, contribui para um ambiente operacional desafiador. Isso é agravado pela existência de regras distintas e, por vezes, inconsistentes entre os níveis federal, estadual e municipal.

Segundo o estudo, esses entraves regulatórios afetaram etapas importantes do ciclo de negócios, como a abertura de empresas, registros e processos de licenciamento.

Nos últimos 12 meses, a reforma tributária também causou impacto direto sobre empresas estrangeiras e ajustes nas regras fiscais e cambiais, redesenhando o ambiente de negócios. “Embora necessárias para simplificar processos, essas mudanças acabaram adicionando novas camadas de complexidade. Ainda assim, são esperadas novas alterações ao longo do ano, especialmente em áreas como contabilidade e tributos, mercados de capitais e fundos”, reforçou Ayerza.

“O Brasil exige das empresas um alto grau de adaptação diante das transformações regulatórias frequentes e de uma estrutura tributária mais robusta. Para investidores, que também consideram instabilidades políticas e econômicas, isso se traduz na necessidade de planejamento detalhado, análise cautelosa de riscos e apoio de especialistas locais para garantir conformidade e eficiência operacional”, explicou.

Apesar dos desafios, o GBCI aponta avanços importantes relacionados à digitalização. A adoção de ferramentas como assinaturas eletrônicas e sistemas de registros digitais tem contribuído para tornar processos mais ágeis e reduzir a carga administrativa, ainda que, em alguns casos, também introduza novas exigências e camadas de complexidade.

“De forma geral, a digitalização vem trazendo ganhos significativos de eficiência para o ambiente de negócios brasileiro, ao mesmo tempo em que exige das empresas adaptação às novas dinâmicas normativas e operacionais”, acrescentou o executivo.

 

Panorama global: complexidade crescente e transformações regulatórias

Enquanto jurisdições mais complexas tendem a concentrar variações regulatórias frequentes e exigências de compliance em evolução, mercados mais simples se beneficiam de maior estabilidade normativa e infraestrutura digital já consolidada.

O estudo também revelou que fatores como fragmentação geopolítica, incertezas econômicas e aumento das exigências de governança vêm ampliando a complexidade operacional das empresas, especialmente aquelas com presença internacional. Ao mesmo tempo, a transparência surge como ponto de partida para iniciativas de digitalização e alinhamento regulatório, principalmente nas áreas contábil e fiscal. Embora elevem as demandas no curto prazo, ao longo do tempo espera-se que facilitem um maior alinhamento e, em última instância, tornem mais fácil a atuação das empresas em âmbito internacional.


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