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CARREIRA - Tempo e trabalho: temos que reaprender a viver


13/02/2023
Brasil
Administradores

Num dia qualquer

A reunião de planejamento foi boa. Estou achando que 2023 será um ano bom, como há muito tempo não tínhamos. Parece que o fantasma da pandemia começa a ficar um pouco mais para trás, principalmente com a previsão da chegada das vacinas de segunda geração. Preciso buscar minha filha na escola. Meu relógio está me avisando, preciso me movimentar mais. A meta era 8.000 passos por dia, mas está difícil.

Chegou e-mail. Preciso refazer pela enésima vez o slide. O jeito que fiz não está claro. Vixe, esqueci que a reunião começa em 15 minutos, será a quarta do dia. Dia de home office parece que é mais pesado do que no escritório. Preciso buscar minha filha, não posso esquecer. A reunião não pode atrasar, porque ela sai às 18h. Depois, passar na padaria para comprar a janta.

O que você perguntou? Eu estava tomando café, desculpe. O slide? Sim, vou arrumá-lo. Fique tranquilo, chefe, depois da janta eu mexo. Nossa, depois da janta preciso brincar com a minha filha. É o único horário que tenho para fazer isso. Ela dorme às 21h, dá para fazer mais tarde. Vou dormir às 0h30 novamente. Mas e os exercícios das 6h30? Não conseguirei levantar às 5h. Preciso finalizar o artigo para o meu MBA. Vou dormir à 1h30, mas no sábado eu compenso o exercício. Sábado tenho que ver uma série com a família e ir ao mercado.

Você se identificou?

A vida anda muito acelerada e parece que nunca estamos em velocidade suficiente. Tem sempre alguém nos ultrapassando, por mais que aceleremos. A frustração, resultado da lacuna entre expectativa e realidade, parece cada vez mais recorrente. Os processos estão mais automatizados, mas, mesmo assim, parece que somos mais demandados.

Não há meio de nos concentrarmos para fugir do turbilhão de sinais que nos são enviados. Se estamos descansando, o celular costuma estar sempre ao lado. E, com ele próximo, a tentação de acessar uma rede sinestésica e letárgica é grande. E, com esse acesso, lá se vão preciosos minutos de ócio e tranquilidade. Esses são rapidamente trocados por sinais que as redes nos passam de que estamos numa pior. Todos são mais lindos e felizes do que nós. Isso gera mais ansiedade e, com ela, a necessidade de ocupar o tempo e fazer algo, mesmo que não seja produtivo e muito menos relaxante.

Para uma carreira mais estruturada, combinando família e trabalho, precisamos nos reinventar. Não sei a resposta, confesso. Mas sei que, do jeito que relatei no início, ninguém conseguirá ser perene. O futuro desse estilo de vida costuma ser complicado. Uma hora ou outra, algum dos “stakeholders” (está na moda anglicismos) da sua vida serão esquecidos. Alguém que, assim como você, está imerso no mar de sinais que vivemos, vai pressionar por mudanças e uma ruptura poderá ocorrer.

Como proceder?

Primeiro, precisamos aceitar: temos que reaprender a viver. Na minha experiência, muita coisa mudou quando minha filha nasceu. Eu, que acordava às 5h e dormia às 23h quase todo dia, para malhar e chegar cedo ao trabalho, me peguei diferente. Por mais que goste de malhar e trabalhar, a Mafê passou a ser minha prioridade. Aprendi que chegar às 8h30, depois de brincar com ela pela manhã, pode ser muito mais produtivo do que chegar às 7h e não vê-la acordar.

Ao final do dia, reuniões que se estendiam facilmente até às 20h passaram a terminar às 18h. E pasmem, minha capacidade de produzir ficou a mesma, senão maior. Qual o segredo? Um pouco mais de foco, planejamento e eliminação de tarefas que não agregam valor. E, claro, entender que muita coisa que fazemos pode ser eliminada, automatizada ou delegada. A frase “sozinho vou rápido e juntos vamos longe” nunca fez tanto sentido.

Ficou claro que ler o jornal diariamente caiu de prioridade. O mesmo com assistir a séries e televisão. Nesse quesito, substituí meus programas prediletos por Patrulha Canina, Peppa Pig, João Comilão, Shwan The Sheep, entre outros. E acompanhar as séries infantis com a Mafê é quase um detox do mundo dos sinais que vivemos. Em casa, consegui acessar o celular depois das 19h somente em casos especiais. Ou seja, tudo que puder esperar até o dia seguinte, esperará.

Se comparar minha vida com a de alguns amigos solteiros e sem filhos, vejo que trabalho menos e que eles podem estar alcançando resultados mais proeminentes que os meus, mas tudo bem. Sem problemas. Aprendi a entender que não sou mais o super-homem millennial que o marketing dos anos 2000 desenhou para mim. Sou mais um cara, como diria o poeta.

Para encerrar, deixo uma reflexão: por que trabalhamos mais e mais? Será que é para darmos o melhor para os nossos? Até que ponto é para isso e até que ponto é por costume? Eu fazia mais e mais porque deixava para pensar em ter mais tempo para minha família mais tarde. O colegial é chato, mas na faculdade… Ah, a faculdade é só fugir das DPs e estudar, mas no estágio eu estarei tranquilo. Depois, é quando efetivar, for promovido, virar gerente, sócio, aposentar, morrer. Sob esta ótica, vale a pena repensar, não é mesmo?

* Virgílio Marques dos Santos é CEO da FM2S.


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