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NEGÓCIOS - Bom negócio: por que o mercado de síndicos profissionais está em alta


18/10/2023
Brasil
Metrópoles

O tempo em que a função de síndico era aquela que quase ninguém gostaria de assumir, vista como sinônimo de “encrenca”, está ficando para trás. O mercado da sindicância profissional é cada vez mais promissor e vem crescendo no Brasil, ano após ano, atraindo profissionais qualificados de diversas áreas – como direito, engenharia, administração e contabilidade – que mudam de carreira para tocar o dia a dia da gestão de condomínios.

Segundo dados da SíndicoNet, o mercado de síndicos profissionais vive um “boom” no país, reunindo mais de 420 mil profissionais em 2023. Há 10 anos, apenas 6% dos condomínios brasileiros eram administrados por síndicos especializados. Atualmente, esse percentual se aproxima de 20% – um em cada cinco empreendimentos tem um síndico com dedicação integral, que não divide suas atenções com outra atividade.

O mercado cresce, entre outros motivos, porque está inserido em um ambiente em expansão. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), foram construídos 7,8 milhões de novos apartamentos entre 1984 e 2019, um aumento de 320% no período. Esse tipo de moradia, que representava 8,37% dos domicílios no país, hoje corresponde a 14,2%.

Estimativas da Associação Brasileira de Síndicos e Síndicos Profissionais (Abrassp) indicam que mais de 68 milhões de pessoas moram em condomínios atualmente, fomentando um mercado que gera R$ 165 bilhões por ano no país. Apenas na região metropolitana de São Paulo, o setor movimenta R$ 3 bilhões por mês e gera mais de 250 mil empregos.

“Hoje temos uma movimentação anual bilionária desse mercado no Brasil, com uma estrutura imobiliária que demanda pessoas cada vez mais capacitadas”, afirma a advogada Giselle Vergal Lopes, sócia do escritório Viseu Advogados, especialista em Direito Processual Cível pela PUC-SP e em Direito Imobiliário pela Universidade Secovi-SP.

Segundo Giselle, uma série de fatores tem levado ao crescimento expressivo do mercado da sindicância profissional. “O primeiro motivo é a crise no mercado de trabalho. As dificuldades aumentaram muito durante a pandemia. Isso levou muitas pessoas a procurarem uma outra atividade para que conseguissem se recolocar no mercado”, observa.

“Há também a questão da diminuição de gastos. Esse síndico profissional é preparado para fazer controle de compras, análise de funcionários, contratação de serviços terceirizados, entre outras funções. Tudo isso evita o desperdício de dinheiro dentro do condomínio e você tem um custo muito mais direcionado e assertivo. É uma gestão financeira otimizada e mais bem estruturada.”

 
 

William Adib Dib Júnior, advogado tributarista especializado na área imobiliária e sócio-fundador da Dib, Almeida, Laguna e Manssur Advogados, avalia que as demandas atuais da sociedade exigem uma abordagem mais eficiente por parte dos condomínios, o que favorece a atuação de um profissional.

“No passado, havia a figura daquele síndico mais antigo, com maior disponibilidade de tempo, muitas vezes aposentado, sem tanta expertise, mas com algum conhecimento de gestão. Houve uma mudança nesse processo, com a migração para um profissional que se dedica em tempo integral à atividade da sindicância e oferece soluções mais atuais, criativas e eficazes para problemas mais complexos”, diz Dib Júnior.

“O fato de o síndico profissional não ser morador do prédio faz com que ele fique mais à vontade para fazer prevalecer a vontade da maioria, independentemente do relacionamento que se tenha com os moradores. Além disso, a pessoa que está do lado de fora tem mais tempo e disponibilidade para se dedicar ao condomínio”, completa o advogado.

Condômino é cliente, e não amigo

Jefferson Ribeiro, de 54 anos, é síndico profissional da Ragno Consultoria, empresa especializada na gestão estratégica de empreendimentos comerciais e residenciais. Ele atua na região de Campinas (SP) e administra seis condomínios – pode assumir o sétimo nos próximos dias.

“Há alguns anos, o síndico era alguém que quebrava um galho para ajudar o condomínio. Hoje, a exigência é por um profissional qualificado que trate o condômino como cliente, e não como amigo”, afirma. “O condomínio tem uma complexidade muito maior do que no passado, com inúmeras demandas, e o profissional que vai administrá-lo tem de ser multifacetado, capaz de interpretar regimentos, escrever e se expressar de forma clara.”

Oriundo do varejo, Jefferson diz que, antes de assumir o primeiro condomínio, fez cursos de gestão e passou por vários segmentos do meio condominial, além de ter contato com profissionais de outras áreas, como advogados e engenheiros. Aliou conhecimento teórico à experiência prática.

“Eu fui gerente de algumas grandes lojas do varejo. Chegou um momento em que decidi parar e mudar de área. Eu ganhava bem como gerente de loja e as primeiras propostas que tive na área da sindicância foram de menor remuneração. Aceitei assim mesmo”, relata. “Gostei muito da área condominial. Desde então, não parei mais. Fiz gestão de alguns condomínios de médio e alto padrão.”

Salário atrativo e qualificação

Uma outra vantagem que pode ser usufruída por quem decidir fazer uma transição de carreira e se tornar síndico profissional é a possibilidade de ser bem remunerado para a nova tarefa. Estimativas do setor apontam que, dependendo do número de condomínios atendidos, é possível garantir rendimentos de até R$ 30 mil mensais, em média.

“Em geral, os salários dos síndicos profissionais são extremamente atrativos, se comparados aos de outras profissões. Um síndico profissional pode atuar em mais de um empreendimento”, explica Giselle Vergal Lopes.

Para ter maiores chances de ganhar um bom salário e fazer jus a essa remuneração, dizem os especialistas, é fundamental apostar na qualificação, como fez Jefferson. Embora a profissão não seja regulamentada nem haja uma faculdade específica para síndicos profissionais, existe uma infinidade de cursos que podem ajudar os postulantes a essas vagas.

“Esse profissional precisa ter um rol de competências técnicas muito maior do que um síndico amador, para trazer resultados efetivos para os condôminos. Tem de ser uma pessoa que entenda minimamente de Direito, principalmente legislação trabalhista. Não adianta o síndico trazer boas ideias se elas não forem viáveis juridicamente”, afirma Giselle. “Também são necessários conhecimentos em contabilidade, gestão financeira e administração. É uma combinação de diversas habilidades.”

Para William Adib Dib Júnior, os cursos são muito importantes, mas não bastam. “Precisa ter conhecimento da legislação, que envolve os direitos e deveres que a função de síndico impõe. Também tem de passar um pouco pela área trabalhista, que é muito importante no dia a dia dos condomínios. Mas a habilidade fundamental, na minha opinião, continua sendo a capacidade de ter bom trato com as pessoas, a empatia. É aquilo que dificilmente os cursos ensinam.”


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