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NR-1: erros de interpretação podem gerar multas às empresas


16/04/2026
Brasil
Terra

Especialista alerta que a atualização da NR-1 exige gestão estruturada de riscos psicossociais e que ações isoladas de bem-estar não garantem conformidade legal. Palestra do Sincovaga-SP orienta empresas a evitar erros que podem resultar em notificações e multas a partir de maio de 2026.

Empresas de todos os portes estão diante de um novo cenário regulatório que exige atenção imediata à gestão de riscos psicossociais no ambiente de trabalho. Com a atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que passa a ter maior rigor na fiscalização a partir de maio de 2026, cresce também a circulação de informações equivocadas sobre o que, de fato, é necessário para estar em conformidade com a legislação.

Atento a isso e para esclarecer dúvidas e orientar gestores, profissionais de Recursos Humanos e lideranças, o Sindicato do Comércio Varejista de Gêneros Alimentícios do Estado de São Paulo (Sincovaga-SP), por meio do Comitê de Segurança e Medicina do Trabalho, realiza, no dia 15 de abril, a palestra gratuita "Quais são as armadilhas inventadas pelos marketeiros digitais que levarão as organizações à notificação e à multa a partir de maio de 2026?".

O encontro será realizado das 10h às 12h, na sede do Sincovaga-SP (Rua 24 de Maio, 35, 13º andar, Centro), com participação presencial e transmissão online. A atividade é 100% patrocinada pela entidade, reforçando o compromisso institucional com a disseminação de conhecimento técnico e confiável sobre segurança e saúde no trabalho.

A palestra será conduzida pelo especialista Eduardo Marcatto, mestre em SSO, engenheiro de Segurança do Trabalho, ergonomista certificado, professor da FGV-SP e auditor em NR-1, com moderação do sanitarista, consultor em saúde ocupacional e coordenador do Comitê, Caires José Maria. O treinamento abordará um dos temas mais sensíveis e atuais na gestão corporativa: a correta interpretação das exigências da NR-1 e a necessidade de adoção de processos estruturados de identificação, avaliação e monitoramento dos riscos ocupacionais, incluindo os fatores psicossociais.

Uma das principais mensagens do treinamento, segundo Marcatto, é que a norma não exige benefícios isolados ou ações pontuais, mas sim um sistema consistente de gestão de riscos. "A confusão entre iniciativas de bem-estar e cumprimento legal tem levado muitas empresas a investir em soluções inadequadas ou insuficientes, acreditando que estão em conformidade quando, na realidade, permanecem expostas a autuações e penalidades", alerta o consultor.

De acordo com o especialista, práticas como salas de descompressão, programas de mindfulness, massagens ou benefícios emocionais podem contribuir para o cuidado com os colaboradores, mas não substituem o processo formal de gestão de riscos exigido pela legislação. "A NR-1 não exige benefícios. Ela exige gestão. Implementar ações sem diagnóstico não atende à norma", destaca Marcatto.

Outro ponto central abordado será a mudança conceitual introduzida pela atualização da norma: os fatores psicossociais passaram a ser reconhecidos formalmente como riscos ocupacionais e, portanto, devem ser tratados dentro do sistema de gestão de riscos da organização, integrando instrumentos como o Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO) e o Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR).

"Na prática, isso significa que as empresas precisam estruturar um processo contínuo que envolva diagnóstico, análise e monitoramento das condições de trabalho, considerando aspectos como organização das atividades, carga de trabalho, relações interpessoais, comunicação interna, liderança, pressão por metas e jornadas de trabalho", explica Marcatto. "O cumprimento da norma, portanto, não se resume à implementação de uma ação isolada, mas à adoção de um ciclo permanente de gestão", completa.

O encontro abordará o papel estratégico dos Recursos Humanos e da liderança na implementação da gestão de riscos, destacando que a responsabilidade pela conformidade com a norma é institucional e não restrita a áreas técnicas específicas. "A cultura organizacional e os processos de gestão do trabalho são fatores determinantes para a prevenção de riscos e para a construção de ambientes laborais mais seguros e sustentáveis", complementa o coordenador do Comitê, Caires José Maria.

A iniciativa integra as ações do Comitê de Segurança e Medicina do Trabalho, uma iniciativa do Sincovaga-SP, que reu?ne atualmente mais de 820 profissionais das empresas do segmento do varejo alimentar, contando com o apoio da Associação Brasileira de Ergonomia e Fatores Humanos (ABERGO) e da Associação Brasileira de Empresas de Saúde e Segurança no Trabalho (ABRESST). O objetivo é oferecer informação qualificada e promover boas práticas de gestão em saúde ocupacional, contribuindo para a prevenção de acidentes e para a sustentabilidade das empresas do setor.


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