Utilitários Contábeis

Reforma tributária: só 11% das empresas se dizem prontas


11/09/2025
Brasil
Poder 360

A menos de 1 ano do início do período de transição, a reforma tributária encontra um cenário corporativo de apreensão e despreparo. Um estudo da consultoria Robert Half mostra que só 11% das empresas brasileiras se consideram totalmente preparadas para as profundas mudanças no sistema de impostos sobre o consumo.

O levantamento, realizado com 100 profissionais que atuam diretamente com o tema, expõe uma realidade preocupante: metade das companhias (50%) avalia que poderia estar mais bem preparada, e 37% reconhecem estar despreparadas, mesmo que já tenham iniciado alguma análise sobre os impactos.

Para Vitor Silverio, gerente da Robert Half e um dos responsáveis pela pesquisa, os dados acendem um alerta para a necessidade de planejamento imediato, especialmente no que diz respeito ao capital humano. Segundo ele, a reforma não é só fiscal, mas uma “reforma de negócios” que impactará toda a cadeia operacional, logística e de precificação das empresas.

O estudo indica que a demanda por profissionais qualificados já aumentou e deve se intensificar. Cerca de 53% das empresas planejam contratar ao menos 3 novos colaboradores para lidar com a transição. Nas grandes companhias, o percentual sobe para 58%.

“No cenário atual, em que o Brasil apresenta as menores taxas de desemprego da história, tanto para a população em geral quanto para profissionais qualificados, a disputa por talentos tende a se intensificar”, afirmou Silverio.

Ele explicou que as contratações visam a substituir a equipe que será dedicada à reforma (69%), incorporar especialistas em tecnologia para parametrização de sistemas (44%) e auxiliar no diagnóstico dos impactos (37%).

A complexidade da transição, que ocorrerá de 2026 a 2033, é um dos principais fatores de preocupação. Durante essa fase, as empresas terão de operar com 2 sistemas simultaneamente: o atual, com PIS (Programa de Integração Social), Cofins (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social), IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados), ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços), ISS (Imposto sobre Serviços), e os novos, com a CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) e o IBS (Imposto sobre Bens e Serviços).

Bruno Damasceno, sócio do Bandeira Damasceno Advogados, afirmou que esse período exigirá investimentos adicionais: “Durante essa fase, as empresas terão de operar simultaneamente sob as regras atuais e sob o novo modelo dual, o que inevitavelmente ampliará a complexidade”.

Essa complexidade, somada à incerteza econômica, tem impulsionado um modelo de contratação mais flexível. Um levantamento setorial indicou que a demanda por gestores temporários para projetos ligados à reforma cresceu 24% de abril a junho de 2025.

Segundo o advogado Bruno Medeiros Durão, especialista em direito tributário, as companhias estão optando por gestores interinos para acelerar a adequação sem inflar o quadro fixo. “A reforma inaugurou um ciclo de projetos intensivos e de duração definida, que vão desde o mapeamento de impactos até a revisão de contratos e a reprogramação de sistemas de gestão”, disse.

Para ele, a combinação de um núcleo interno permanente com especialistas temporários tem sido um arranjo custo-efetivo para enfrentar o momento.

COMPLEXIDADE Além da complexidade operacional, a insegurança jurídica é outro ponto que causa apreensão. O advogado tributarista Jonas Filho declarou que a unificação de tributos de diferentes esferas (federal, estadual e municipal) levanta dúvidas sobre os processos futuros.

“Existe também uma certa insegurança quanto à reforma, de como vai ser até mesmo para ser feita uma recuperação de crédito, para qual jurisdição que vai ser julgada”, disse. Ele projeta que essa incerteza fará com que o setor tributário cresça massivamente, pois as empresas que se prepararem agora terão uma vantagem competitiva crucial.

Apesar dos desafios imediatos, entre eles o de tirar o Brasil da 1ª posição entre os países que mais gastam tempo com tributos, a expectativa a longo prazo é positiva. André Luiz Andrade, sócio do escritório Chalfin, Goldberg & Vainboim Advogados, declarou que, superada a fase de transição, a tendência é de maior eficiência.

“Hoje o Brasil é um dos países no qual os contribuintes mais gastam tempo para cumprir obrigações tributárias. Após a extinção dos tributos, a tendência é de maior eficiência no dia a dia”, afirmou.

Damasceno disse que a unificação de tributos e a padronização de regras permitirão a racionalização de estruturas e a redução de obrigações acessórias, como a substituição de múltiplas declarações por uma escrituração fiscal única e centralizada.

A mensagem dos especialistas é unânime: a adaptação é inevitável e urgente. “O período de transição começa apenas em 2026, mas esperar até lá para se preparar é um erro estratégico. Quando a nova regra começar a valer, pessoas e processos já precisam estar prontos. A hora de agir é agora”, declarou Vitor Silverio, da Robert Half.


O nosso site usa cookies

Utilizamos cookies e outras tecnologias de medição para melhorar a sua experiência de navegação no nosso site, de forma a mostrar conteúdo personalizado, anúncios direcionados, analisar o tráfego do site e entender de onde vêm os visitantes.

Centro de preferências de cookies

A sua privacidade é importante para nós

Cookies são pequenos arquivos de texto que são armazenados no seu computador quando visita um site. Utilizamos cookies para diversos fins e para aprimorar sua experiência no nosso site (por exemplo, para se lembrar dos detalhes de login da sua conta).

Pode alterar as suas preferências e recusar o armazenamento de certos tipos de cookies no seu computador enquanto navega no nosso site. Pode também remover todos os cookies já armazenados no seu computador, mas lembre-se de que a exclusão de cookies pode impedir o uso de determinadas áreas no nosso site.

Cookies estritamente necessários

Estes cookies são essenciais para fornecer serviços disponíveis no nosso site e permitir que possa usar determinados recursos no nosso site.

Sem estes cookies, não podemos fornecer certos serviços no nosso site.

Cookies funcionais

Estes cookies são usados para fornecer uma experiência mais personalizada no nosso site e para lembrar as escolhas que faz ao usar o nosso site.

Por exemplo, podemos usar cookies de funcionalidade para se lembrar das suas preferências de idioma e/ ou os seus detalhes de login.

Cookies de medição e desempenho

Estes cookies são usados para coletar informações para analisar o tráfego no nosso site e entender como é que os visitantes estão a usar o nosso site.

Por exemplo, estes cookies podem medir fatores como o tempo despendido no site ou as páginas visitadas, isto vai permitir entender como podemos melhorar o nosso site para os utilizadores.

As informações coletadas por meio destes cookies de medição e desempenho não identificam nenhum visitante individual.

Cookies de segmentação e publicidade

Estes cookies são usados para mostrar publicidade que provavelmente lhe pode interessar com base nos seus hábitos e comportamentos de navegação.

Estes cookies, servidos pelo nosso conteúdo e/ ou fornecedores de publicidade, podem combinar as informações coletadas no nosso site com outras informações coletadas independentemente relacionadas com as atividades na rede de sites do seu navegador.

Se optar por remover ou desativar estes cookies de segmentação ou publicidade, ainda verá anúncios, mas estes poderão não ser relevantes para si.

Mais Informações

Para qualquer dúvida sobre a nossa política de cookies e as suas opções, entre em contato conosco.

Para obter mais detalhes, por favor consulte a nossa Política de Privacidade.

Contato